Ouve-me, não corras assim na tua rotina, sem meta nem fim. Se parares um pouco e olhares para trás, irás ver um louco se olhares para mim. Ouve-me, não fiques aquém do teu horizonte sem ver mais ninguém. Eu não tenho rosto, nem o teu emprego, teu fato e teu posto, e sou gente também. Ouve-me, não fiques zangado se eu peço esmola e não tens trocado. Não sabes meu nome, reclamas meu cheiro e não vês minha fome, meu nome é pecado. Ouviste? Ao passares por mim na rua da vida, não corras assim. Imagina que és tu que estás mendigando triste só e nu, ver-me-ás por fim.
